Revolução na Educação – parte 02

Nesse texto manterei a mesma dinâmica que utilizei em meu primeiro texto, partindo de um parágrafo que considero significativo da revista Você S/A de junho, no sentido de avançar na reflexão sobre as transformações e desafios que se apresentam para a educação do país.

(leia o primeiro texto)

Vamos a ele:

“Engana-se quem enxerga a educação de amanha como algo high tech. Parte das transformações envolve sim, inovações tecnológicas, mas a principal mudança está na maneira como se instrui. O monologo na sala de aula abre espaço para tarefas colaborativas, o ato mecânico de anotar palavras vira soluções para problemas cotidianos – os alunos devem – por exemplo – criar um projeto sustentável para suco de laranja ou desenvolver um aplicativo de monitoramento de energia elétrica. E o professor, que agora admite o uso de computadores e tablets em sala de aula, torna-se um “mediador de conteúdo”. (Revista Você S/A junho de 2018)

Mais uma vez começarei concordando com o texto, a revolução que se apresenta na educação é muito mais que tecnológica.

Acredito que a utilização da tecnologia no contexto da educação é algo irreversível, porém, a tecnologia será precedida pela discussão de métodos e objetivos e ela ainda será um elemento diferenciador entre escolas e estudantes, como os livros e enciclopédias já foram, décadas atrás, numa época em que apenas uma pequena parcela de estudantes tinha acesso às informações impressas – e ainda hoje muitos não tem.

Os novos “leitores de informação”, computadores e tablets, mudam a forma de acesso a informação tornando-a mais rápida e dinâmica, mas mantêm a informação elitizada, como as enciclopédias já fizeram um dia.

É possível entender a percepção de que muitos alunos ou escolas se utilizam dessas novas tecnologias em sala de aula, mas é uma minoria e é elitizada.

Carregar o celular para dentro da sala implica antes de mais nada ter acesso à web e, mais muito importante, saber o que fazer com esse acesso e com a informação acessada. Carregar o celular para a sala de aula é uma realidade tipicamente urbana e, quero reforçar, se hoje grande parte dos jovens tem um smartphone e está inscrito nas redes sociais, no interior dessa grande parcela, a maioria tem acesso limitado a internet, dependendo de redes abertas.

O texto original nos apresenta a ideia de que a educação promove a instrução, mas a palavra instrução por si só pode ter diversos significados, envolvendo obtenção de conhecimento ou nível de escolarização.

O que é necessário perceber é a diferença básica entre educação e instrução, apesar de existir um espaço comum entre as duas e, perceber que muitas vezes são usadas como se fossem a mesma coisa.

As principais diferenças: “a educação desenvolve as faculdades, as capacidades e habilidades, enquanto a instrução dá conhecimento’, ‘a educação eleva a alma, a instrução alimenta o espírito’; ‘a educação é o fim enquanto a instrução não é mais que um dos meios”.

Portanto devemos acreditar que uma das transformações revolucionárias é a “maneira como se EDUCA” (e não como se instrui).

A perspectiva é de que o monologo deixe de ser a forma utilizada na educação, a palavra do professor é – e deixará de ser instruidora – o meio pelo qual se educa.

Ao mesmo tempo em que o professor age, o aluno reage e anota e, esse comportamento também deve desaparecer e segundo o texto, ser substituído por tarefas colaborativas. E aqui poderíamos retomar o que já foi escrito no texto anterior sobre o papel de mediador do professor.

Chama a atenção os exemplos colocados no parágrafo, que podem ter alguma importância num determinado contexto, mas existe uma multiplicidade de possibilidades como a criação de pontos de cultura, de expansão artística e corporal, de conscientização e alternativas ambientais ou criação de assembleias escolares ou de bairro que sirvam de laboratório para o conhecimento de filosofia e de práticas políticas, sempre colaborativas.

São muitas as possibilidades e não necessariamente vinculadas à aspectos da ciência exata aplicada, mas também das ciências humanas e naturais.

Em todas as áreas do conhecimento temos a possibilidade de transformar a educação, através de novas formas de instrução, que coloque o professor como mediador de atividades colaborativas entre os aprendizes, nas diversas áreas do saber.

O que falta dizer? Que o modelo apostilado na sala de aula é o grande câncer da educação.
Nesse modelo alguém – que elaborou a apostila – de fora diz o que deve ser estudado e a dinâmica da apostila é a mediadora, mantendo o professor como agente de transmissão do conhecimento, que até pode trazer novos conteúdos e novas abordagens, definidas, porém, pelo “sistema” elaborador da apostila, que tira completamente a autonomia de professores e estudantes.

O modelo de “mediação – colaboração” para produção de conhecimentos é incompatível com o modelo apostilado, que avança a passos largos no país nas últimas décadas.