Quem quer ser professor levanta a mão !!!

Notamos nas últimas décadas a diminuição da procura, por parte dos jovens, de cursos de licenciatura e da profissão de professor e tal situação tem se tornado objeto de preocupação crescente nos últimos anos em diversos países.

A falta de professores bem formados nos diferentes níveis de ensino e, especialmente, no Brasil, a escassez de profissionais para algumas áreas disciplinares dos últimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio tem se mostrado como um problema que se agrava. É muito comum no ensino público a falta de professores, são comuns os casos de escolas que passam meses sem professores de certas disciplinas; é comum o relato de estudantes que chegam às vésperas do vestibular é são forçados a um ou mais anos de estudo – seja em curso pré-vestibular, seja por conta própria – para se prepararem para o vestibular e pior, esse estudante está preparado para o curso universitário de sua escolha?

Mesmo sabendo que a função do ensino médio não deveria ser a preparação para o vestibular, esse é um justo anseio de milhões de estudantes que desejam ampliar seus conhecimentos, se profissionalizar, buscar um condição de vida melhor a partir de uma especialização que a universidade lhe garantiria.

Em outubro de 2008, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em pronunciamento conjunto por ocasião do Dia Internacional do Professor, revelaram preocupação com a pouca valorização do Magistério e com a falta de interesse dos jovens por essa profissão. Como tornar interessantes aos pretendentes a formação de professores e o ensino?

Um número cada vez menor de jovens se interessa pela profissão ou pela carreira de professor. O mais adequado nesse momento é usar o termo profissão, pois normalmente o ingressante não enxerga possibilidades de carreira, ou seja, de uma trajetória com etapas, progressão, desenvolvimento. Em parte, tal situação se deve a um modelo arraigado em nossa cultura, vinculado à estabilidade e à progressão em níveis definidos pelos órgãos governamentais reguladores da educação, com a progressão em categorias e “letras”, numa época em que as carreiras em geral se caracterizam pela instabilidade e pela descontinuidade, fruto de uma visão neoliberal de mercado, que se aproxima tardiamente e com certa cautela da área educacional.

Empregos estáveis e remunerados, por exemplo, estão sendo substituídos por formas mais flexíveis de contratos que não garantem a estabilidade do empregado a longo prazo.

As razões apresentadas pelos professores para o ingresso no Magistério ainda estão fortemente vinculadas ao campo dos valores altruístas de contribuir com a sociedade e com crianças e jovens em seu processo de formação, mas também da realização pessoal, estando fortemente vinculadas na imagem de si e na ideia de “dom” e de “vocação”, no amor pela profissão, no amor pelo saber e a necessidade de conquistar certa autonomia financeira com alguma rapidez. Pelos estudos, ao longo de décadas, essas motivações vêm sendo a justificativa para a escolha da docência e a permanência na profissão.

A questão econômica, a busca por um ganho com rapidez, está relacionada a crise da própria educação, que permite que estudantes que acabaram de ingressar no curso universitário se tornem professores e, ao mesmo tempo, agrava essa crise, pois o ingressante não tem a mínima formação necessária para o exercício da docência, seja da matéria específica com a qual trabalhará, seja principalmente a visão do que representa a educação enquanto projeto de vida de crianças e jovens, muito menos como projeto futuro de nação.

Para muitos jovens o salário baixo do professor é o primeiro salário, o único salário e esse fator se combina com a perspectiva de futura estabilidade promovida a partir de um concurso público. Não existe a projeção do que este salário representará, no futuro, para ele e para uma família; a visão predominante é imediatista

Os valores intrínsecos à escolha da profissão devem ser pensados conjuntamente aos valores extrínsecos, ou seja, aqueles que não são determinados pela vontade do futuro professor, mas estão determinados por questões políticas e econômicas que fogem ao controle individual, são elementos do contexto, que se altera ao longo dos tempos.

É curioso notar como, mesmo diante dessa condição enviesada de acesso ao magistério, a maioria dos professores se percebe como “agentes de transformação social”, algo que está baseado muito mais na tradição e no imaginário do que na realidade, pois cada vez menos aqueles que ingressam em um curso de licenciatura vivenciaram um processo de transformação e, portanto, tem poucas condições de promoverem transformações. Quanto a educação tem sido transformadora nas três últimas décadas?

Além das questões pessoais de formação, existem os elementos estruturais, quer dizer, as condições determinadas pela legislação, pelos governos que regulamentam o ensino e são responsáveis pelas condições estruturais – prédio escolar, laboratórios, biblioteca e etc. e sobre elas, não temos, atualmente, nenhum controle.

Porém, voltando a condição de docente é necessário questionar: Por quais transformações passamos em nossa formação como professores?

Prof. Claudio Recco

 

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