O Governo Floriano Peixoto

 

Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil. Sua ascensão ao poder foi decorrência de uma crise político institucinal determinada pela disputa entre o Marechal Deodoro, então Presidente da República e o Congresso Nacional

Durante o governo constitucional de Deodoro, Floriano manteve-se em posição discreta. Empenhava-se, contudo, em solapar as bases do presidente no meio militar, formando uma corrente oposicionista. Em 1º de novembro de 1891, foi procurado pelo ministro da Justiça, barão de Lucena, que lhe solicitou que

assumisse a presidência do Senado – que cabia constitucionalmente ao vice-presidente da República –, para evitar o avanço de um projeto de lei sobre responsabilidade do presidente que não convinha ao governo. Floriano alegou estar doente e não o atendeu.

Sofrendo contestações no Parlamento e na caserna e com problemas de sustentação em estados importantes, como Minas Gerais e São Paulo, Deodoro dissolveu o Congresso no dia 3 de novembro de 1891, esperando reverter a situação. A medida, inconstitucional, foi logo apelidada de “golpe Lucena”. No dia seguinte, Deodoro decretou o estado de sítio para o Distrito Federal e Niterói. Em manifesto aos brasileiros, explicou sua atitude, argumentando com a necessidade de retificar a Constituição, principalmente para fortalecer o Poder Executivo da União. Para isso, decretou a convocação de eleições de deputados para novo Congresso Constituinte. Em resposta, o Congresso Nacional lançou, no mesmo dia e assinado por 114 parlamentares, entre deputados e senadores, o Manifesto à Nação Brasileira, denunciando a violência do governo.

Dos governadores, apenas Lauro Sodré, do Pará, manifestou-se publicamente contra o golpe no dia seguinte. Pouco tempo depois, contudo, estava estruturada a resistência em vários estados, nos setores militares e no meio sindical de Santos (SP) e da capital federal. Floriano participava de reuniões com a oposição. Cauteloso, insistia na necessidade de conquistar a adesão de mais tropas antes de desencadear o contragolpe. No dia 21 de novembro, finalmente, os ferroviários deflagraram uma greve no Rio de Janeiro, enquanto se concluíam os preparativos para a ação militar, iniciada na madrugada de 23: revolta de unidades da Marinha fundeadas na baía da Guanabara, apoiada por contingentes do Exército em terra. Doente, Deodoro ainda esboçou uma reação, mas acabou renunciando na mesma manhã. Floriano Peixoto foi buscado em casa para receber o cargo de presidente da República.

Floriano

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