Esses 2 livros servem aos Professores?

Esse é um dos dilemas de muitos professores ao longo da carreira: como estabelecer e desenvolver as relações com colegas e profissionais hierarquicamente superiores, incluindo a direção da escola, seja pública ou privada?

Dos dois livros, O Monge e o Executivo é mais famoso e mais vendido; o outro se chama “Como se tornar um líder servidor: os princípios do Monge e o Executivo.

Livros de auto ajuda? Alguns diriam que sim.
Há quem use a expressão “livro de auto ajuda” com um tom depreciativo, como se fosse um monte de picaretagem. Eu mesmo pensei assim durante algum tempo e infelizmente vale a pena lembrar que “picaretas” existem em todas as áreas profissionais, mas que eles não devem nos tirar do foco, não devem nos levar a generalizar e desprezar os bons profissionais, nos quais devemos focar e nos espelhar.

James Hunter, o autor dos dois livros, é consultor de empresas na área de relações de trabalho e treinamento e foi a partir desse trabalho que vivenciou, ao longo dos últimos 20 anos, diversas experiências envolvendo relações entre colegas de trabalho e principalmente o comportamento dos indivíduos frente as condições hierárquicas das empresas e instituições.

Esse é um dos dilemas de muitos professores ao longo da carreira. Como estabelecer e desenvolver as relações com colegas e profissionais hierarquicamente superiores, incluindo a direção da escola, seja pública ou privada?

Como divergir de outros professores sem ser considerado o “puxador de tapetes”, como colaborar com a direção da escola sem ser considerado como “puxa-saco”, ou mesmo como se colocar perante os estudantes que, em princípio estão hierarquicamente abaixo?

Os livros de Hunt tratam de liderança, entendida como algo muito diferente de chefia, mas como a capacidade de envolver outras pessoas em projetos que são necessariamente coletivos, algo bastante comum no ambiente escolar, tanto na relação horizontal com outros professores, como nas relações verticais com estudantes e coordenadores – diretores. Portanto liderança está associada à “autoridade”, que implica na habilidade de mobilizar outras pessoas a se envolverem em projetos de bom grado; ao contrário de “poder”, que é a capacidade de obrigar aos demais, usando uma posição de força.

Nesse sentido o professor, mesmo não tendo o poder efetivo, pode se tornar o líder de colegas, de colaboradores, da comunidade em diversos projetos. Mas qual o significado de projeto?
Importante perceber que na maioria dos casos o “projeto” não é algo eventual, um trabalho especial, uma causa especifica, mas o maior projeto é aquele que se desenvolve ao longo do ano, que exige e que permite reafirmar a autoridade – liderança no dia-a-dia.

Com um forte conteúdo social – no caso do autor, de origem cristã – considera que que a liderança servidora deve ser feita com amor, que por sua vez é compreendido “como a disposição de uma pessoa ser atenciosa com as necessidades, os interesses e o bem-estar de outra, independente de como se sinta”. Talvez esteja aqui a chave para pensarmos e repensarmos nossas relações profissionais na escola; porém o primeiro passo para a reflexão é sentir-se parte dela, entender seu papel e seu processo dentro de sua instituição, comunidade interna à escola e comunidade exterior, pois normalmente nos propomos a fazer algo quando percebemos algum sentido no que fazemos, percebemos que podemos contribuir para o sucesso ou fracasso de pessoas e projetos. Quando nos sentimos como parte, mesmo que pequena, mesmo que desmerecida, mesmo que injustiçada, mesmo que mal remunerada, temos alguma motivação para fazer e mudar.

O segundo passo é perceber qual sua real situação, de que ponto parte para se colocar como um “servidor”. Quais as habilidades que possui ou que precisa desenvolver para colaborar efetivamente; ter consciência de que sua ação não parte da decisão de ser líder, mas da decisão de servir, de inspirar, de se autoconhecer e tomar a decisão da melhora contínua e fazer isso por você. Liderar é servir.

A ideia de “servir” pode nos remeter a submissão e fraqueza, mas o agir de forma cooperativa na instituição alavanca seu potencial e sua autoridade, é bem recebida pela maioria da comunidade e influencia positivamente todos que o cercam.
Tenha certeza de que será melhor, se sentirá melhor, será reconhecido como melhor. Não existe sucesso sem felicidade.

Por último deixo uma questão: é possível considerar Paulo Freire como um líder servidor?

Prof. Claudio Recco