ENEM, História e interdisciplinaridade

A partir das disposições gerais do MEC sobre o Exame Nacional do Ensino Médio, percebemos que a orientação predominante para a elaboração das questões é a interdisciplinaridade que, ao pensarmos as Ciências Humanas, procuram envolver as disciplinas afins, ou seja, filosofia, sociologia e geografia, exigindo conhecimentos de todas essas disciplinas para resolvê-las. Porém é importante destacar que,para resolver essas questões interdisciplinares, é fundamental conhecer a especificidade de cada uma das disciplinas, uma vez que é a partir delas que se forma a base necessária para a construção das habilidades exigidas.

A disciplina de história é normalmente estudada a partir do conhecimento sobre o passado, vinculando-o às situações presentes de diversas sociedades e para isso é necessário o conhecimento básico dos marcos cronológicos tradicionais, no sentido de entender a periodização e ainda os modos de vida e culturas do passado que permanecem no presente; as principais situações de ruptura e os interesses sociais envolvidos nas mesmas, extrapolando os níveis econômicos e políticos e buscando seus elementos culturais e comportamentais; ou seja, se grande parte dos livros ao longo do tempo fizeram uma abordagem que partia das questões e interesses econômicos, é fundamental perceber que atualmente a prova do ENEM dá maior destaque aos componentes sociais e culturais.

É a partir dessa visão que a História se aproxima das demais disciplinas e cria as bases da interdisciplinaridade, destacando o conhecimento das “identidades”, como exige a Competência 1 das Ciências Humanas.

No caso da história, compreender as “identidades” significa entender os elementos que caracterizam determinados grupos sociais, suas origens, as alianças, disputas e contradições. No caso do Brasil significa pensar nos povos que contribuíram com a formação do “povo brasileiro”, destacando-se num primeiro momento o elemento indígena (e eventualmente suas diferenças) o elemento de origem africana e o europeu / português e, mais tarde, os diversos grupos de imigrantes das mais diversas regiões.

Dentro dessa concepção de Identidades é que devemos perceber como consequência a diversidade do patrimônio histórico e cultural do país e também por quais razões alguns fatos são mais valorizados e alguns personagens são elevados à condição de heróis. Isso significa que as questões sociais tem grande destaque na prova do ENEM, tanto no passado como no presente e nesse sentido o exame exige que se estabeleça constantemente essa relação passado/presente.

É importante ainda não apenas se manter informado sobre as “atualidades”, mas conhecer suas origens e ser capaz de propor alternativas lógicas e plausíveis para resolver os problemas – nesse ponto percebemos a intersecção com a prova de redação – e encontramos muitas dessas questões, na Competência 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais; ou nas habilidades que compõem a Competência 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade. A prova do ENEM exige tanto a análise de grandes sistemas (história macro, estrutural) quanto as particularidades e as experiências de diferentes grupos (micro-história).

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