Dilema de Professor – parte 1

Como podemos pensar a Educação como uma ferramenta de transformação se continuarmos a acreditar que ele depende inicialmente das ações do Estado?
A questão não se propõe a eximir o Estado de sua responsabilidade, de forma alguma, porém proponho parar e pensar nos últimos 30 anos, período marcado pela redemocratização.

Considero que devemos abordar inicialmente 4 grandes questões

  • Quais as reais conquistas dos professores e da educação nesse período?
    em quais cidades ou em quais estados do Brasil os salários foram elevados? Onde as condições estruturais (prédios, bibliotecas, laboratórios, quadras…) foram melhorados? Quantas greves foram vitoriosas? Em quais cidades ou estados o conjunto de professores percebe que a categoria foi valorizada?
  • De que forma o avanço na utilização das redes sociais criou um espaço de informação que concorre com a escola e com o professor? A utilização das redes sociais através da internet ou de sistemas similares emburrece os jovens de fato? O desinteresse dos jovens nas aulas, na escola, na educação, é responsabilidade do avanço da tecnologia?
  • De que maneira o fundamentalismo religioso, que se expandiu fortemente nas últimas décadas pelo país, se relaciona com o ensino laico, aquele que deve ser ministrado nas escolas públicas, já que o Estado é laico? De que forma esse modelo de pensamento limita a pesquisa científica e o debate de ideias?
  • Quem é o professor? Quais a principais diferenças que nós professores temos em relação aos professores dos anos 60 e 70 e primórdios dos anos 80? Que tipo de ensino desenvolvemos? As teorias pedagógicas não funcionam? Como dimensionar a distância entre teoria e prática? A falha está na teoria, nos professores ou na realidade?

Esses são componentes fundamentais para a compreensão da realidade do ensino e do professor. É com essa realidade que devemos começar a discutir e trabalhar.