A4 – Transformações tecnológicas e seus impactos sociais

Competência da área 4 – Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.

Desde 2009, quando o ENEM adotou uma nova forma, essa habilidade representa aproximadamente 16% da prova de Ciências Humanas. O examinador utiliza as habilidades abaixo como um guia na hora de fazer a questão.

H16 – Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social.

H17 – Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

 H18 – Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio espaciais.

H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

H20 – Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.

O conhecimento do desenvolvimento tecnológico é a base dessa competência, porém

não se limita apenas a descrever os processos produtivos e as ferramentas utilizadas, mas de que forma esse desenvolvimento ocorreu ao longo do tempo e como impactou a organização ou a transformação das sociedades, assim como suas escolhas em termos de localização espacial.

Essa competência atrai grande parte das abordagens relacionadas à pré-história, ou a história de povos anteriores a escrita e pode abordar a “Revolução Agrícola” não apenas em seus aspectos técnicos, mas principalmente sociológicos, que possibilitaram novas formas de organização social, econômica e política de diversos grupos humanos, processo esse acompanhado da sedentarização.

A percepção de que o homem pode produzir seu sustento a partir da terra, exigiu desenvolvimento de técnicas e ferramentas, assim como a utilização de animais no processo de produção. A transição das mãos para a enxada e depois para o arado, determina grande desenvolvimento tecnológico para o período.

Tais procedimentos possibilita fazer uma ponte com o surgimento das primeiras civilizações, denominadas por muitos de “civilizações hidráulicas”, expressão que destaca a importância da tecnologia e dá ideia de suas limitações, uma vez que reforça a dependência humana frente ao rio, como componente geográfico natural.

Normalmente os livros didáticos dão pouco destaque ao desenvolvimento tecnológico na antiguidade greco romana, porém no período medieval temos duas situações sociais que atraem as atenções: o desenvolvimento da ciência pelos povos de origem árabe ou islamizados, como contraponto para a paralisia da Europa Ocidental; depois essa ideia de que a idade média foi a idade das trevas pode ser explorada, de maneira a desmistifica-la, destacando avanços em áreas específicas, como na construção.

A ideia de modernidade está, em grande parte, associada a ideia de desenvolvimento tanto intelectual como científico, que produz efeitos importantes na organização socioeconômica como o Renascimento Cultural, como na distribuição geoeconômica como produto das grandes navegações.

Desde a antiguidade “o novo” cria uma contradição, de medo e expectativa, pois o surgimento de algo novo ameaça a rotina, quebra os ritmos tradicionais e pode abalar grandes estruturas, como a invenção da imprensa em 1450 por Gutenberg, que promoveu a propagação do conhecimento, da cultura e da ciência num ritmo nunca antes visto, incompreendido por muitos, inclusive pela Igreja Católica, por séculos, a detentora do saber.

O Renascimento cultural não pode ser percebido apenas pelo seu viés artístico, mas principalmente pelo impulso à pesquisa e ciência da época subsequente, no chamado Renascimento Científico, valorizando a razão, a atitude crítica que levava os homens a observar os fenômenos naturais, realizar experiências e formular hipóteses, mais uma vez chocando-se com os valores cristãos de uma Igreja ainda muito poderosa, pelo menos até o século XVI.

O médico e teólogo Miguel Servet descobriu a circulação do sangue no corpo humano dissecando cadáveres, o que o levou ser morto pela fogueira da inquisição de Genebra comandada por Calvino.

Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria heliocêntrica (que se contrapôs ao geocentrismo defendido pela Igreja), seguido por Galileu Galilei e Johannes Kepler. Devemos destacar as contribuições fundamentais de Francis Bacon que desenvolveu o “método cientifico”, René Descartes, “pai do racionalismo” e Isaac Newton, “pai da física moderna”.

Na transição da Idade Moderna para a contemporânea temos o modelo clássico de desenvolvimento tecnológico com a Revolução Industrial, a partir da qual percebemos grandes transformações na vida cotidiana, reforçando o êxodo rural, o desemprego, a urbanização desordenada, os grandes bairros periféricos e a exposição explícita dos contrastes sociais – presentes ainda hoje nas grandes cidades. Do ponto de vista econômico a consolidação do capitalismo. Destaca-se aqui as condições de vida dos trabalhadores urbanos, notadamente de mulheres e crianças inseridas no processo de industrialização.

A todo esse processo estão associados os primeiros movimentos sociais de origem trabalhista, como o movimento ludista, as Trade Unions, os ideais socialistas e mesmo a concepção de Doutrina Social Católica.

Muitos autores consideram que a primeira depressão do capitalismo 1973-98 (data referencial) foi fruto do desenvolvimento incontrolável da tecnologia, aplicada a produção industrial, responsável pela superprodução. Tal situação teria dado origem ao imperialismo, como a remodelação das estruturas capitalistas nos países industrializados e a conquista de novos mercados, através do Big Stick ou do Neocolonialismo sobre a África e Ásia.

É nesse contexto do final do século XIX que percebemos os avanços tecnológicos e suas limitações no Brasil, a Era Mauá. Estradas de Ferro e urbanização (indústrias e bancos) numa sociedade tradicionalmente agrária. Aqui também devemos lembrar que muitos enxergam um processo de modernização no Brasil, dentro das estruturais fundiárias e escravistas tradicionais.

Das últimas décadas do século XX para o século XXI chama a atenção para Produção e transformação dos espaços agrários, com a modernização da agricultura e a modificação das estruturas agrárias tradicionais, destacando-se questões relacionadas ao agronegócio, a agricultura familiar, os assalariados do campo e as lutas sociais no campo. A relação campo-cidade pode implicar também na utilização da História Comparada, partindo da situação presente dos trabalhadores rurais, para qualquer outro momento do passado.

A constituição dos movimentos sociais rurais e suas ações de ocupação de terra, assim como sua organização interna devem ser percebidas e entendidas no contexto da expansão do agronegócio e da retração de políticas públicas de reforma agrária.

 

No século XX chama atenção as  novas formas de organização da produção como o fordismo, o taylorismo e toyotismo e a maneira como o avanço da ciência e da tecnologia são aplicados à indústria bélica.