A1 – Ciências Humanas no ENEM

Por Claudio Recco

O MEC estabelece a divisão da área de Ciências Humanas em seis competências, com cinco habilidades cada uma, totalizando trinta itens.

Competência da área 1 – Compreender os elementos culturais que constituem as identidades

H1 – Interpretar historicamente e / ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura.

H2 – Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
H3 – Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
H4 – Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.
H5 – Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.

A diversidade da formação cultural brasileira, com aspectos significativos de grupos considerados hoje como “minorias”, como índios e africanos.
Vale a pena lembrar…

que essas duas expressões são genéricas – índio e africano – pois os diversos grupos indígenas aqui existentes possuíam grande diversidade cultural, assim como os diversos grupos de africanos trazidos como escravos para o Brasil. Mesmo assim, ainda predominam as generalizações sobre o índio e o africano e suas contribuições culturais, pois lembra-las e reafirma-las expressa um constante resgate da ideia de diversidade.

Portanto a ideia de cultura é bastante ampla e está vinculada às práticas cotidianas desses grupos, assim como de outros grupos que contribuíram para a formação cultural do Brasil, principalmente o português, que pode ser entendido de forma diferenciada, ou seja, compreendendo o papel de diferentes grupos de europeus, como os religiosos, principalmente na figura dos padres jesuítas, considerando sempre as variações comportamentais que ocorreram ao longo do tempo.

Percebemos as características da cultura de um determinado grupo e mesmo de suas influencias sobre a sociedade atual, considerando aspectos como a língua, vestimentas, objetos domésticos, hábitos alimentares, valores, religiosidade.

Daí nasce a ideia de miscigenação.

Por um lado um conceito básico entendido como a “mistura” de diversos aspectos, de diferentes culturas de diferentes tempos, num processo que envolve assimilação e contradição. O desenvolvimento de padrões miscigenados não são conscientes, mas resultantes de um processo, nem sempre natural, e muitas vezes fruto de contradições.

Não apenas a miscigenação de grupos diferentes, mas de “culturas” diferentes. Surge o sincretismo. Linguístico, alimentício e religioso.

É verdade que, devido a dimensão do Brasil e de suas características históricas, esse sincretismo se manifesta hoje de forma diferenciada. Um dos exemplos mais conhecidos é o sincretismo religioso, que une elementos da umbanda e cristianismo, exemplo encontrado com muita força nas regiões norte do Brasil, especialmente na Bahia, mas não necessariamente em outras regiões, nas quais a presença do africano foi menos ou mais tardia, como no sul do país.
No que toca a religião, muitos consideram que o sincretismo foi uma forma do africano manter sua tradição original, face às imposições portuguesas. Dessa forma os deuses africanos foram associados a personagens, Santos Católicos para facilitar a prática às escondidas.

Na culinária percebemos a grande influência de africanos e indígenas. Os primeiros no sentido cultural do alimento, utilizando gêneros encontrados no Brasil, adaptados a filosofia de alimentação africana, como o preparo de caldos e de pratos que envolviam a mistura de alimentos diferentes, que deram origem ao vatapá ou ao ximxim de galinha; já dos indígenas, assimilamos o uso de determinados gêneros, o mais comum foi a mandioca, mas também a utilização de pratos de vegetais e dos pescados, mesclados com outros alimentos.

Uma das manifestações sincréticas mais presentes nos dias de hoje é o carnaval, festa de origem portuguesa, com caráter religioso, tem sua origem no “entrudo”, que marca o início da quaresma, período caraterizado pelo jejum e pela penitência. Diversas manifestações europeias –como as máscaras venezianas – foram incorporadas a essa festa.
No século XX no Brasil encontramos duas expressões do carnaval: os bailes de fantasias nos clubes, que reunia os setores mais elitizados, e as manifestações de rua, as festas populares, os blocos e batuques, nas quais os instrumentos e ritmos africanos ganharam lugar de destaque.
Nasce o samba. E a maior parte dos sambistas são homens de origem africana.

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